EDUCAÇÃO

Por que voltar às aulas na rede particular e adiar na rede pública?

Talvez nem o governo do Maranhão saberá explicar esse disparate inconsequente

Em ano eleitoral é possível tudo, inclusive ver que o pau que bate em Chico, não bate em Francisco, principalmente no Maranhão. O maior assunto da rede social é justamente a volta às aulas na rede particular de ensino e a suspensão na rede pública de educação. A famosa mistura homogênea feita pelo governador do Maranhão, Flávio Dino com os mesmos ingredientes, mas com sabores diferentes.

Em plena pandemia do novo coronavírus, onde no Maranhão os casos de infecção diminuem um dia e alteram nos demais dias, Flávio Dino com o intuito de agradar alguns empresários da rede particular de ensino, pode colocar a rede pública de saúde em colapso, tendo em vista que o número de contaminados pode aumentar no Maranhão por vários motivos. Inclusive pela falta de estrutura no transporte coletivo e pela super lotação de ônibus coletivos, principalmente na Região Metropolitana de São Luís, onde os coletivos semi urbanos rodam mega lotados o dia inteiro sem uma fiscalização sequer.

Os empresários conscientes que respeitam seus colaboradores e principalmente seus alunos, não estão nada contente com essa decisão do governador do Maranhão, que cobra atitude de Jair Bolsonaro quanto a pandemia do novo coronavírus, mas faz igual ou até pior quando o assunto é reabertura das aulas no estado. Ninguém consegue entender a preocupação de Flávio Dino com os alunos, professores e servidores da rede pública de educação, mas libera abertura da rede particular de ensino, como se os empresários gananciosos estivessem pressionando o mandatário do Maranhão, que me parece apenas um governador que recebe ordem dos poderosos.

A decisão da rede privada foi divulgada após o governo do Maranhão adiar, pela 5ª vez, a retomada, das aulas presenciais em escolas estaduais, previsto para o dia 10 de agosto. A suspensão do retorno foi determinada após uma consulta pública com a comunidade escolar. Mas na rede particular, alunos, pais de alunos, que pagam, não tiveram esse mesmo direito. Se existe algum perigo para alunos, professores e pais de alunos da rede pública de ensino para reiniciar as aulas em agosto, o que livraria os alunos, professores da rede particular de ensino. Seria possível Flávio Dino explicar à população essa diferença? Ou o governador do Maranhão só é responsável pelos que dependem do ensino público? Tem algo errado e muito confuso nessa decisão, que me parece errada e irresponsável.

O Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado do Maranhão (Sinpe-MA), informou que a retomada vai seguir os protocolos sanitários e as escolas vão optar pelo ensino híbrido  (com aulas online e presenciais). Retorno das aulas em escolas estaduais e municipais de São Luís segue sem data definida. O Sinpe afirma que as escolas particulares estão respaldadas pelo Decreto Estadual 35.897/2020, que prorroga as aulas somente até este domingo, dia 2 de agosto, com a suspensão das aulas presenciais. A entidade representa mais de 50 instituições de ensino privadas em todo o estado do Maranhão.

Entre algumas medidas impostas pela rede privada de ensino está o uso obrigatório de máscaras, a aferição de temperatura de alunos e colaboradores e a suspensão do recreio. Mas antes até chegar às dependências das escolas, alunos e colaboradores passam por grandes maratonas em coletivos lotados e isso pode ser um caminho ruim para a proliferação do novo coronavírus no Maranhão. Poucos alunos e colaboradores usam transporte particular, o que é um perigo para todos. Dezenas de alunos de faculdades particulares vão ter dificuldades, já que 90% trabalha e sai do trabalho diretamente para a faculdade, o que aumenta o perigo de contaminação do novo coronavírus.

Para se livrar de uma possível culpa em caso de contaminação e proliferação da Covid-19 no Maranhão após a reabertura das aulas na rede particular de ensino, a Secretaria Estadual de Educação (Seduc), manteve a decisão do adiamento das aulas na rede estadual após a 1ª fase de consulta popular, realizada com pais e responsáveis dos estudantes, onde ficou constatado que 58% não estavam se sentindo seguros com o retorno das atividades pedagógicas, enquanto 42% acreditam que eles devem voltar. O que ninguém ente foi o motivo pelo qual não fizeram a mesma consulta popular com os alunos e pais de alunos da rede particular de ensino.

O número de casos confirmados no Maranhão já chegam a quase 120 mil, de acordo com números divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde (SES). São 3 mil mortes pela doença e mais de 100 mil já estão curados. Mesmo assim, todo cuidado é pouco, principalmente partindo de um pressuposto que a rede pública de saúde é inexistente, precária e vive na UTI há anos e nunca foi melhorada. Sofreu no início da pandemia, filas de paciente a espera de um leito e agora Flávio Dino libera geral abertura das aulas na rede particular. Nos municípios maranhenses os prefeitos estão preocupados com essa atitude do governador. As aulas na rede municipal de ensino permaneces suspensas.

Já o Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino da Rede Particular do Maranhão (SINTERP/MA), divulgou uma nota repudiando a atitude do governador Flávio Dino em liberar a reabertura das aulas nas escolas e faculdades particulares, mas foi uma nota que ficou em cima do muro, Não defendeu os alunos, professores e colaboradores e muito menos criticou a atitude irresponsável do governo do Maranhão. Segundo a nota, o reinício das aulas presenciais vão de encontro à insegurança sanitária manifestada por pais de alunos, trabalhadores administrativos e professores das instituições de ensino privado, quanto ao risco de contaminação e proliferação do coronavírus. Mesmo assim, o governador do Maranhão até agora não tomou nenhuma atitude para evitar a reabertura das aulas na rede particular, como se não fosse de responsabilidade dele também.

Se houver um aumento no número de infectados proveniente do reinício das aulas, não vai adiantar colocar culpa no louco do Bolsonaro. É necessário prevenir antes que seja tarde demais!

Por João Filho – Jornalista e Radialista.

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