POLÍTICA

“Política é para se trabalhar pelo povo e não para se beneficiar dela”

Filho de um pescador e de uma dona de casa, o vereador Armando Costa, 52 anos, deixou a minúscula cidade de São João Batista aos 16 anos, para tentar a vida na capital. Foi em 1979. Veio, viu e venceu. Enfrentou muitas dificuldades, mas conseguiu superar tais obstáculos.

A política o atraiu e em 1985, quando ingressou na JFL-Juventude da Frente Liberal, que aglutinava os jovens do extinto Partido da Frente Liberal, sigla que surgiu quando o antigo PDS começava a ser extinto. Foi assessor do vereador Pavão Filho, quando este assumiu o primeiro mandato, em 1989.

Tentou seu primeiro mandato em 2004, ficando na suplência, na esteira dos 1.229 votos conquistados. Não se abateu e na eleição seguinte, em 2008, conquista seu primeiro mandato, com 2.988 votos. Na eleição de 2012, surpreendeu, se elegendo para o segundo mandato, com 7.397 votos, superando experientes parlamentares que muita gente imaginava não ficasse abaixo de Armando em número de sufrágios. Atualmente, é o presidente municipal do Partido Social Democrata Cristão (PSDC).

Homem de fala mansa, gestos calculados e extremamente humilde, Armando Costa gosta de está sempre misturado ao eleitorado na periferia. Adora jogar umas partidas de sinuca e bater papo, sempre que pode, principalmente na sua principal base eleitoral, a Ilhinha, onde reside até hoje.

Nessa entrevista ao ATOS E FATOS, ele aborda variados assuntos, como o cenário político nacional, a expectativas em torno do mandato do governador Flávio Dino e  a administração do prefeito Edivaldo Holanda Júnior. Eis a íntegra da entrevista:

ATOS E FATOS – O senhor tem uma história interessante. Já que, em três eleições, saltou de 1.229 para 2.988 e 7.397 votos. Qual o segredo desse crescimento, que chega a mais de 300%?

ARMANDO COSTA- Trabalho, trabalho e trabalho! No exercício do mandato, não se tem descanso. Recebemos muitas críticas, mas elas são infundadas, porque muita gente não sabe o sacrifício que passamos, atendendo a eleitores em quase todas as suas demandas. É uma ação cansativa, que requer disposição e, sobretudo vocação.

ATOS E FATOS- Nesse caso, o senhor admite que o vereador continua atuando como se fosse um autêntico assistente social?

ARMANDO COSTA- É a mais pura verdade. Somos a base da pirâmide política. O eleitor carente, quando se depara com alguma dificuldade, recorre imediatamente ao vereador, parlamentar que está mais próximo, às vezes mora na mesma rua, no mesmo bairro. Você conta nos dedos deputados estaduais eleitos por São Luís. A ampla maioria é oriunda do interior do Estado, está longe do eleitorado, assim como o deputado federal e o senador, que estão em Brasília. Já o vereador, não, ele está ao lado do eleitor e é o seu contato imediato.

Isso também por conta da falta de políticas públicas sociais mais abrangentes. Veja o caso do Rio de Janeiro, onde os traficantes exercem o domínio. Isso é porque eles exercem a função do governo em várias demandas.

ATOS E FATOS – Como o senhor define a política?

ARMANDO COSTA- Recorro a uma frase inesquecível do saudoso José de Alencar, que foi vice-presidente no governo de Lula. Empresário de sucesso, ele sempre dizia que a política é um instrumento para se trabalhar para o povo e jamais para se beneficiar dela.

ATOS E FATOS- O senhor tem uma trajetória eleitoral interessante. Saltou de pouco mais de 1.200 para quase 8 mil votos, em três eleições. Isso não o estimula e tentar voos mais alto na política?

ARMANDO COSTA- Olha, de acordo com o poeta, sonhar não custa nada, mas, na política, nós temos de ser mais realistas. Pensei, não posso negar, disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa no ano passado. O problema é que não havia recursos para uma campanha como a de deputado e não consegui apoio suficiente. Em política, todo mundo quer subir mais um degrau, não resta a menor dúvida.

ATOS E FATOS – Já caminhando para o fim de seu segundo mandato, quais as principais proposituras que o senhor apresentou na Câmara em benefício da cidade?

ARMANDO COSTA- São inúmeras, entre projetos, requerimentos, indicações e outros tipos de propostas, mas cito aqui apenas algumas delas. Indiquei, ao governo do Estado, a implantação de câmaras de videomonitoramento na Rua Grande, principal área comercial da cidade, para combater a ação dos bandidos, solicitei também, através de indicação ao governo, a criação de concurso para beneficiar a população de baixa renda, quando da realização de concursos públicos e requeri, à administração municipal, uma ampla reforma e ampliação da feira do São Francisco. Também pedi, através de requerimento, a implantação de uma academia ao ar livre, na Praça Botafogo, em frente à Avenida Ferreira Goulart, no São Francisco.

ATOS E FATOS – E quanto aos projetos de lei?

ARMANDO COSTA – Apresentei, ao longo desse período, dezenas de projetos, todos aprovados e promulgados, a exemplo do que cria o Serviço do Disque Dengue na cidade, um que estabelece a concessão do kit de higiene bucal para todos os alunos de creches, unidades da educação infantil e ensino fundamental da rede pública municipal de ensino.

Outros que aponto são um que cria o Programa Brinquedoteca nas unidades de saúde, clínicas, hospitais e outros estabelecimentos similares de saúde que atuam com serviço pediátrico no âmbito municipal. É também, de minha autoria, o projeto que institui a inclusão do peixe na merenda escolar, um que dispõe sobre a obrigatoriedade da instalação de baterias de emergência nos semáforos da cidade e outro que cria o serviço de agendamento de consultas médicas e exames de caráter eletivo pela Internet e por telefone nas unidades da Central de Marcação de Consultas da capital.

ATOS E FATOS – Como o senhor observa o cenário político atual em termos nacional?

ARMANDO COSTA- Vejo com extrema preocupação. A corrupção decorrente do Mensalão e da Lava Jato mergulhou o pais numa crise sem precedentes. Nos últimos dias, venho acompanhando a movimentação em Brasílias, com a popularidade da presidente Dilma em queda, a oposição se reunindo com partidos da base, já falando em impeachment da presidente e isso não é bom para o País. Confesso que estou temoroso dessa situação, são muitas as turbulências no momento.

ATOS E FATOS- Quais suas expectativas em tono do governo Flávio Dino?

ARMANDO COSTA- Deposito muitas esperanças no governo Flávio Dino. Ainda não dá para se fazer uma avaliação, pelo pouco tempo de governo, mas a movimentação do governador Flávio Dino aponta para muitos avanços, principalmente quando ele inicia parcerias com as prefeituras. Todo mundo sabe que Estado e União são abstratos, o que realmente existe é o município, onde o cidadão, nasce, estuda, trabalha e se projeta. A parceria com os municípios, já apresenta resultados positivos, principalmente em São Luís. O governador Flávio Dino está trilhando pelo caminho certo.

ATOS E FATOS- E sobre a administração do prefeito Edivaldo Holanda Júnior?

ARMANDO COSTA- O prefeito enfrentou muitas adversidades, mas está em franca recuperação. As ações mais firmes, a exemplo do programa Todos por São Luís, estabelecem um novo cenário, que se fortalece com o apoio do governador Flávio Dino, principalmente no que concerne à infraestrutura da cidade. O prefeito está avançando e muito.

ATOS E FATOS- Como o PSDC irá caminhar nas eleições municipais de 2016?

ARMANDO COSTA- Sou presidente da Executiva Municipal, mas não decido sozinho. As articulações estão apenas começando e temos que fazer algumas reuniões, para saber com quem o PSDC irá marchar, se com o prefeito Edivaldo Holanda Júnior ou com outro postulante ao cargo de prefeito, mas vejo ampla possibilidade de sermos parceiros do prefeito.

TEXTO: Djalma Rodrigues

 

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