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Música Barroca: “Um espetáculo em Alcântara”

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ALCÂNTARA/MA – Uma cidade pacata com aproximadamente vinte mil habitantes, onde reina o silêncio e tem um povo receptivo, o Festival de Música Barroca é a grande atração das férias. Já em sua 4ª edição, o evento leva pessoas de todas as idades e classes. Com o apoio da lei federal de incentivo a cultura, Nº 8.313/1991, o Festival de Música Barroca vem ganhando seu espaço na cidade histórica de Alcântara. A ideia é trabalhar o social através da educação e mostrar o valor da música erudita.

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Segundo Bernard Vassas, empresário em Alcântara e idealizador do festival, o projeto vem crescendo a cada edição. “Nosso objetivo é levar música de qualidade e com conteúdo histórico aos habitantes carentes do Estado. Este festival é dedicado as “Missões Jesuítas”, em especial a música tocada na época. Os Jesuítas trabalharam a música na catequese e na liturgia, em todos os lugares por onde passaram em especial aqui no Maranhão”, explicou o Francês.

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Com o objetivo de levar música erudita às pessoas de cidades históricas do Maranhão, o festival desembarcou pela primeira vez na cidade de Alcântara em 2012. Este ano, após edições em Bacabeira e Rosário, na região do munin, o projeto reuniu cerca de 200 pessoas na igreja de Nossa Senhora do Carmo, no Centro histórico da cidade. O festival oferece a todos os públicos, e de forma itinerante e gratuita, concertos de grupos musicais de qualidade e reconhecidos internacionalmente. O tema deste ano, “A música nos tempos das missões Jesuítas”, mostra a força das missões Jesuítas em terra latino-americano. Além disso, a música erudita é usada como instrumento de propagação da fé, social e educativa.

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Com apenas dois anos de idade, a pequena Iasmin Lobato, acompanhou as apresentações dos grupos de música erudita, de Cuba & Paraguai, realizado, nesse sábado (18), na Igreja do Carmo da cidade histórica de Alcântara, localizada na região metropolitana de São Luís, do outro lado da baía de São Marcos. O pai de Iasmin, o guia turístico, Nailton Lobato, de 38 anos, falou que a menina gosta muito de música, e quando ouve algum instrumento, sempre observa com um olhar fixo. “Iasmin já está acostumada ouvir música. Ela fica concentrada. Quando estou em casa, pego meu violão e começo a tocar e ela sempre está do meu lado, ouvindo. Quando toco reggae, ela dança”, comentou o pai da garota.

DOMINGOS WP_20150718_19_18_01_Pro

Acostumado com a cultura maranhense, o professor Domingos Vieira, de 35 anos, ficou encantado com o festival de Música Barroca e não perdeu a oportunidade de levar a família inteira para um momento, que segundo ele, é único na cidade de Alcântara. “O que mais me encanta é a história por trás da música e o que ela pode nos ensinar. Participei da maioria dos festivais e em todas eu trago minha família”, destacou o professor.

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O grupo ARS LONGA, de Cuba, composto por 9 integrantes fez a abertura das apresentações, e emocionou o público presente, inclusive a aposentada Dolores Ribeiro, de 69 anos, que não conseguiu conter as lágrimas. “Quando a música é boa, a gente sempre se emociona. Parece que entramos em contato com ela. É uma verdadeira sintonia. Muito bom”, destacou a moradora, que já acompanha o evento desde a primeira edição.

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Para quem achou que só o público se emocionou, está literalmente enganado. O jovem cubano Rodrigo Lopes Paz, de 20 anos, músico do grupo ARS LONGA também vibrou com a oportunidade de participar do evento e prometeu voltar em outras edições. “É uma boa ideia promover a cultura em lugares distantes e que respiram música. Gostei muito da cidade, da natureza e principalmente da arquitetura e pretendo voltar”, disse o cubano, que recebeu o apelido de Leonel Messi após ganhar a graça das crianças de Alcântara.

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Pra fechar o sábado musical na Igreja do Carmo, o grupo Paraguaio “Paraguay Barroco” que conta com 8 integrantes, deu um verdadeiro espetáculo e mostrou como a música é importante para a vida das pessoas. As apresentações foram até às 21hs e logo em seguida todos os grupos viajaram rumo a capital maranhense.

O evento, que começou no último dia 16, segue até o dia 22 deste mês, encerrando suas atividades com chave de ouro na Ilha do Amor. O festival já percorreu as cidades de Bacabeira, Rosário e Alcântara. Com oficinas e apresentações pedagógicas, o projeto tem o apoio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

VEJA A PROGRAMAÇÃO NA CAPITAL MARANHENSE:

Segunda-feira (20 de julho)

14h Seminário – Integração Social e Música Erudita: Experiências pedagógicas e modelos na América Latina (Venezuela, Paraguai, Cuba e Brasil)

Com conferências do Maestro Luis Szarán (criador do programa „Sonidos de la Tierra“, Paraguai), Adela Barreto (integrante do Sistema de Orquestras da Venezuela) e Teresa Paz (diretora do grupo Ars Longa, Cuba)

CONVENTO DAS MERCÊS

17h Cerimonial de abertura em São Luís – Concertos de ARS LONGA (Cuba) e Paraguay Barroco (Paraguai)

CONVENTO DAS MERCÊS

19h Concerto – Conjunto de música antiga da UFF (Rio de Janeiro)

IGREJA DA SÉ

20h Concerto – Ars Longa (Cuba)

IGREJA DA SÉ

Terça-feira (21 de julho)

Noite de encerramento

Teatro Arthur Azevedo

20h Concerto – Zarabanda (Venezuela)

TEATRO ARTHUR AZEVEDO

21h Concerto – Paraguay Barroco (Paraguai)

TEATRO ARTHUR AZEVEDO

Quarta-feira (22 de julho)

Ações sociais

9h Concerto – Paraguay Barroco

COMPLEXO PENITENCIÁRIO DE PEDRINHAS

14h Concerto e ação pedagógica para crianças e mulheres da casa de apoio da Fundação Antonio Jorge Dino – Ars Longa

HOSPITAL ALDENORA BELLO

A música no tempo das Missões Jesuítas no Brasil

A importância dos jesuítas na história do Brasil é imensa e pode ser avaliada por meio do destaque que ainda hoje têm figuras do porte de Anchieta, Nóbrega e Vieira, três dos muitos discípulos de Inácio de Loyola que tiveram um papel fundamental na formação da identidade brasileira. Os primeiros jesuítas chegaram aqui apenas nove anos após a fundação da Companhia de Jesus em 1540 e durante mais de dois séculos (de 1549 a 1759), participaram ativamente do nosso processo colonizador.

A atuação deles foi de grande interesse para a Coroa Portuguesa, pois muitas vezes ocupavam áreas disputadas com a Espanha. Duzentos e dez anos depois da sua chegada, a Companhia havia se estabelecido por toda a costa do Brasil, de Belém, no Estado do Pará, até Laguna, em Santa Catarina, espalhando-se desde as aldeias do interior da Amazônia à porção meridional do país (Sete Missões).

Com a missão de catequizar e educar, os missionários logo perceberam na musica um meio eficaz de sedução e convencimento dos indígenas. Estes eram fascinados pelos cantos e as musicas trazidas da Europa. Apesar das poucas pesquisas existentes sobre o assunto, sabemos que esta atuação musical dos jesuítas influenciou sobremaneira tanto na formação da cultura brasileira como na criação específica de identidades culturais regionais.

A presença dos jesuítas também foi vital no Maranhão. Na “Crônica da Missão do Maranhão”, escrita em 1698, o Padre João Felipe Bettendorf descreve suas experiências pessoais nas missões locais e refere-se à praticas musicais em vários trechos dessa crônica, onde faz claras referências a índios músicos (geralmente chamados de “charameleiros” ou “mestres de capela”). Vale ressaltar que um dos principais relatos de autoria jesuítica, foi mais tarde escrito pelo Padre Jose de Morais, em 1759, com o titulo “A historia da Companhia de Jesus na extinta Província do Maranhão e Pará”.

TEXTO: Assessoria

 

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