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Fátima Araújo: A verdadeira Pequena Guerreira do Maranhão com uma história de lutas

Por trás desta senhora de pequena estatura, pouco mais de 1,5m de altura, se esconde uma verdadeira guerreira, que, ao longo de uma década foi quebradeira de coco na cidade de Lago da Pedra, onde nasceu, atuou como vendedora de perfume e cosméticos e mudou radicalmente de vida, 23 anos atrás, quando migrou para São Luís. Na capital maranhense, a Pequena Guerreira fundou o Movimento  Solidariedade e Ação, que funciona na Vila Nossa Senhora da Conceição,  no bairro João de Deus, na periferia da cidade.

Afigura em questão é a vereadora Fátima Araújo (PCdoB), que foi eleita em outubro do ano  passado com 4.892 votos, sendo que deste total, ela obteve  3.892  votos somente na 10ª Zona Eleitoral, sua área de atuação.  Enfrentou as agruras da vida por amor. Relata que, quando casou com  Francisco José de Araújo. O  pai fazendeiro e o restante da família não concordaram. Acabou saindo de casa e o marido, pouco tempo depois acabou ficando desempregado. Foi aí que ela se transformou em quebradeira de coco, profissão que abraçaria ao longo de uma década.

Novos horizontes para a família só começaram a se abrir em 1983, quando o Francisco foi aprovado em concurso para o Incra e ela se transformou em líder comunitária, função esta que lhe propiciou a suplência de vereador na legislatura anterior.

Em  2014, assumiu uma cadeira na Câmara Municipal, e diz que não teve a oportunidade de executar o trabalho que sonhava. Agora, como titular, falas de suas ações e ressalta que o vereador é um autêntico assistente social, afirmando que é uma missão difícil, porque o parlamentar tem que mendigar pedidos nas secretarias.

Experiente, divide sonhos e preocupações com o marido ao longo de 34 anos, e com quem gerou três filhos (Francisco Lima de Araújo, Raimundo Lima de Araújo e Maria Caroline de Araújo, além de um neto). Nesta entrevista ao  Câmara em Destaque, ela discorre sobre suas expectativas.

CÂMARA EM DESTAQUE Neste seu primeiro ano de mandato como titular,  qual a  sua auto avaliação no parlamento municipal e quais são suas expectativas?

FÁTIMA ARAÚJO  Durante estes oito meses de mandato, realizamos grandes  ações em nossa comunidade, apresentamos muitas proposituras, como requerimentos,  indicações e projetos de lei.  Vida de vereador não é
fácil. Vivemos mendigando pelas secretarias, buscando melhorias para a sociedade cumprindo, com o nosso dever .  Não mudei de bairro, continuo fazendo o mesmo trabalho e acompanhando as ações do poder Executivo. Conheço as necessidades do povo. Sou uma vereadora de linha comunitária, sou misturada ao povo, ando por todos os bairros e tenho uma grande identidade popular. O parlamento, é sim, o que imaginei, porque se tem uma observação do que é esse poder quando se está fora dele.

CÂMARA EM DESTAQUE – Identificada com  como povo, como a senhora mesmo destaca, a senhora  sofre assédio do eleitorado, já que reside num bairro periférico? E quais as principais demandas?

FÁTIMA ARAÚJO – A maior demanda diz respeito à infraestrutura, ao saneamento básico e ao transporte coletivo. Todas as lideranças que me procuram me pedem  para que interceda junto ao Executivo para a instalação de uma nova linha de ônibus, instalação de sistema de abastecimento de água e asfaltamento de ruas. Por incrível que pareça, ninguém que bate à minha porta vem com pedido de dinheiro, mas apresentando os problemas que citei acima.

CÂMARA EM DESTAQUE – A senhora é do partido do governador, é, também, da base aliada do prefeito Edivaldo Holanda Júnior. Isso facilita muito a sua ação na Câmara, não ajuda?

FÁTIMA ARAÚJO –Muita gente imagina isso porque sou do PC do B, mas não é bem assim. Primeiro é que não vivo batendo à porta nem da Prefeitura e nem do governo do Estado, porque me ocupo muito na Câmara e nas minhas bases, mas não posso negar as ações tanto do governo do Estado como da Prefeitura na minha área de atuação.  Faço minhas proposições e muitas delas são atendidas, mas não existe facilidade.

O governo Flávio Dino, levou um poço de 130 metros para a minha comunidade, pavimentou 36 ruas nos  bairros João de Deus, João Alberto, Vila Lobão e Pirapora. Existem muitas ações, apesar dessa crise. O prefeito Edivaldo Holanda, por exemplo,  reformou  e climatizou a escola Maria José Vaz, que  havia passado pela última reforma em 1997. É, agora, uma escola de primeiro mundo. Agradeço muito ao governador Flávio Dino e ao prefeito Edivaldo, pela força do trabalho, pelos avanços, pelo dinamismo.

CÂMARA EM DESTAQUE – E com relação à Câmara Municipal como a senhora avalia esse colegiado do qual a senhora pertence?

FÁTIMA ARAÚJO – É, realmente um grande colegiado. Tenho aprendido muito na Câmara Municipal. Destaco, de início, o trabalho do presidente Astro, que tem se mostrado um grande gestor e um grande amigo dos colegas de parlamento. Tem modernizado muito o  parlamento municipal, em todas as suas vertentes.

Também destaco o trabalho de todos os meus colegas vereadores, por conta de suas ações, de suas cobranças, da fiscalização. Estou numa Câmara  moderna,  combatente e muito sensível aos anseios populares.

CÂMARA EM DESTAQUE – A Câmara Federal acaba de aprovar, à guisa de reforma política, o fim das coligações para o Legislativo em todas as suas esferas, mas para 2020. O primeiro teste será com os vereadores. Como a senhora avalia essa situação?

FÁTIMA ARAÚJOCom   tristeza. Porque  os deputados federais não estabeleceram a medida logo para 2018, quando estarão disputando a reeleição? Isso é uma clara demonstração de que usam os vereadores como cobaia, como experiência. O fim das coligações só beneficia os grandes partidos, os coronéis da política, porque é uma pancada  quase que mortal para os pequenos e médios  partidos.

Não concordo com esse item da reforma, porque ele é direcionado para a extinção das pequenas siglas e só beneficia os endinheirados.

Por Djalma Rodrigues

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