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Camelôs: Os “Donos” da Rua

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“Às vezes não conseguimos andar, nossas sacolas de compra se enroscam nas barracas, sem contar que a rua e a calçada têm o piso desigual, o que piora ainda mais nossa situação. Já até levei um tombo por causa de tantas coisas por cima das calçadas. Temos que disputar o nosso espaço com mercadorias, principalmente nas datas festivas. No fim da tarde tudo fica pior, se não bastassem os camelôs daqui, os coreanos tomam de conta da Rua Grande com suas bolsas e muambas, é um verdadeiro Deus nos acuda” – disse a estudante de Nutrição, Cristina Almeida, de 23 anos, quando fazia compras na Rua Grande.

Um verdadeiro compra, compra; corre, corre; atende daqui, atende dali, sempre de olho na fiscalização. O que se vê nas ruas do centro de São Luís, principalmente na Rua Grande, é gente vendendo de tudo nas portas das lojas. São tantos ambulantes que eles já ocupam até os espaços não permitidos pelo município. Segundo dados da Associação dos Vendedores Ambulantes e da Blitz Urbana, cerca de 10 mil camelôs trabalham espalhados em toda São Luís. Mas, 35% são cadastrados.

Tem gente se beneficia com essa correria do comercio informal. Algumas pessoas vão ao Centro só para comprar nas mãos dos ambulantes, como a estudante Luana Sousa, de 16 anos, que vê facilidade na hora de comprar nas mãos desses vendedores, pois segundo ela, os produtos são mais baratos. Ela sempre compra óculos escuros e diz que eles têm a mesma durabilidade dos que são vendidos nas lojas, só que tem uma diferença, eles são mais baratos e falsos, mas para Luana isso não importa, o importante é permanecer na moda.

Mas há quem reclame do espaço ocupado pelos camelôs. O cadeirante José Luís Fonseca, 32 anos, que reside no Saviana e trabalha no centro, reclama das dificuldades em transitar nas calçadas da Rua Grande. “Um emaranhado de mercadorias! Muitas vezes paro e fico analisando por onde vou passar se é por cima deles, se desço para rua e caio ou se vou pelo único espaço da calçada deixado pelos ambulantes, que ainda tem um buraco.” Enfatizou o cadeirante.

A Secretaria de Urbanismo e Habitação de São Luis estabelece um padrão para os vendedores atuarem. As telas, usadas para expor as mercadorias, devem ter 1,20M x 60 cm (Um metro e vinte por Sessenta) e as barracas 1,20M x 80 cm (Um metro e vinte por oitenta centímetros).  Mas muitos camelôs desobedecem a essa lei, como o vendedor Pablo Rodrigo, de 26 anos. Segundo ele, o número de telas é essencial para uma boa venda. Para ele, a prefeitura deveria padronizar e fiscalizar diariamente o comércio informal na Rua Grande, dessa forma as normas seriam respeitadas.

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As ruas paralelas à Rua Grande também estão tomadas pelos ambulantes, nessas vias quase não dar nem para andar. Lá a pirataria rola solta; são CDs, DVDs, Jogos, Vídeo Games, roupas, óculos, celulares e etc… tudo a preço de banana. De acordo com o taxista José Reis que trabalha na Rua de Santaninha, esquina com a Rua Grande, o número de vendedores é maior pela tarde, a partir das 13h. Esses camelôs, por serem ilegais, agem com violência quando são questionados acerca dos locais escolhidos para comercializarem seus produtos.

A falta de oportunidade do mercado de trabalho é um dos principais fatores que contribui para o crescimento do comercio informal na capital. “Se eu tivesse um emprego melhor eu não estaria mais aqui sendo humilhado. A gente sofre, pega chuva e sol, e as pessoas (Blitz Urbana) ainda querem mandar no que é nosso.” Disse o camelô ilegal Ismael Silva.

Segundo o presidente da Associação dos Vendedores Ambulantes de São Luís, Ribamar Ferreira, os vendedores informais não cadastrados têm até o fim do ano para se cadastrarem junto à associação. Isso faz parte de uma parceria com a Blitz Urbana que tem o objetivo de contralar o comércio informal e combater o contra bando. Para Cristina Almeida, a legalização dos camelôs iria resolver o problema do Centro Comercial, pois eles teriam que se adequar ao padrão estabelecido pela prefeitura.

Mas mesmo antes da legalização, os ambulantes vão ser retirados da Rua Grande. Eles têm até o dia 15 de abril para sair, devido o início dos trabalhos de revitalização do local, mas reclamam por não saberem para onde vão ser remanejados.

O Projeto de Revitalização da Rua Grande visa reformar a Rua do Passeio e as praças Deodoro e Pantheon. A fiação das redes elétrica e telefônica será embutida e os postes serão retirados. Os paralelepípedos serão trocados por piso de granito e serão realizadas obras de drenagem profunda, com instalação de nova rede de esgoto. “É dar mais valor ao patrimônio público do que ao próprio cidadão”, disse o ambulante Pablo Rodrigues, em relação à retirada dos camelôs da Rua Grande para o inicio das obras do projeto. “Se o projeto for realmente implantado, eu vou poder chegar a qualquer lugar da rua grande sem ter que me estressar com ninguém”, disse o cadeirante José Luís Fonseca.

Enfim, daqui a alguns meses as pessoas poderão transitar livremente na Rua Grande sem tropeçar, sem cair, sem ouvir uma língua “portocoreana” e nem os gritos de “Olha o veneno pra rato, veneno pra rato, veneno pra rato… Pomada japonesa, pomada japonês… E ainda tem gel curador”.

Reportagem: João Filho e Tarcísio Brandão

 

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