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Sustentabilidade no Rádio brasileiro

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*Texto de Alessandro Caliu, do Blog Talk Radio*

O rádio da época do bom rádio

O rádio da época do bom rádio

Olá amigos radionautas, tudo bem! Tenho visto radiodifusores debaterem “sustentabilidade” com foco apenas na escassez futura do rádio, de vender publicidade a qualquer custo e de reduzir investimentos na esperança de aumentar seus lucros. Notou como o rádio vem se modificando com o passar dos anos, reduzindo-se, desaparecendo?

Em uma analise básica na linha do tempo, o rádio reduziu tudo, podendo citar:

Extinção do Programador Musical – Este por sua vez passou a ser a função do locutor que opera o programa na maioria das rádios, onde cada um toca o que acha melhor, muitas vezes tocando o que gostam  de ouvir. Definição: O programador musical é responsável pela roupagem musical da emissora. Escolhe desde as músicas adequadas à programação até cortinas e vinhetas para programas. Precisa conhecer música e fontes sonoras, bem como o perfil do ouvinte da emissora.

Extinção do Operador de rádio/ de áudio/ de mesa: Tudo bem que ficou a cargo do locutor, mas é uma função exercida com sabedoria e precisão por poucos locutores. Definição: Opera mesa transmissora, sendo responsável pela emissão dos programas e comerciais no ar, de acordo com roteiro da programação. Recebe dos Másteres transmissões (telefônicos) externas e equaliza os sons, colocando no ar, ainda, som das gravações e dos microfones em estúdio.

Extinção do Produtor: Responsável pela preparação de programas radiofônicos de média e longa duração. Redige roteiros, orienta reportagem no desenvolvimento das pautas, fornece informações básicas e complementares para âncoras/apresentadores, agenda e faz roteiro das entrevistas e convidados da cada programa, organiza debates e documentários. Via-de-regra é auxiliado por Assistente-produção.

Extinção do Vendedor: Uma das funções mais importantes do rádio, este é o responsável por alimentar o faturamento da emissora, também na maioria dos casos  passou a ser exercida pelo locutor da emissora.

Onde foram parar estes caras? Estes caras foram todos acrescentados ao cara que exerce a função de LOCUTOR. E, melhor parar por aqui, ou vou achar mais uma função em que o locutor/apresentador é obrigado a exercer em uma emissora de rádio se quiser manter o emprego. Na minha época de rádio, era cada macaco no seu galho e ai de quem se intrometesse na função do outro.

Existem poucas práticas quanto às tentativas de pessoas para fazer de suas emissoras sustentáveis. Reduzir custos é um bom começo, mas raramente esse começo se repete por semanas ou meses seguidos. O cara destrói a função de um operador de rádio, mas aumenta o consumo de combustível do carro.

O rádio brasileiro abortou a missão, e viu na tecnologia uma forma de sobreviver, mas ao invés de crescer, reduziu-se.  Era para ter estúdios melhores, investimento em seus funcionários, no mercado da comunicação, em conteúdo radiofônico, nas faculdades de comunicação para colherem novos talentos, era para ser simplesmente RÁDIO, O poderoso veiculo da comunicação.

Tenho participado de congressos pelos estados e tirando o Nordeste, não vi os herdeiros filhos dos donos de rádio acompanhados de seus pais, querendo entender esta máquina tão extraordinária.  Mas conversei com muitos, que estudaram os seus filhos para não assumirem a função de radialistas exercidas por eles. Ora, sem nem mesmo eles acreditam no rádio, então o que será do rádio?

Ser sustentável no rádio é mais do que fazer cortes eventuais visando o futuro. Sustentabilidade começa no melhoramento dos conteúdos, das pessoas, dos equipamentos, do sinal, da potência, do setor artístico, do comercial, do financeiro. Isso tem a ver com como você cuida de sua equipe, dos clientes e os ouvintes. Mas, tem também a ver com como você lida com seu investimento.

No rádio, em época de crise é preciso investir em ‘CONTEÚDOS, EQUIPE, PROGRAMAS MELHORES, PUBLICIDADE’, e não reduzir seus custos. ‘É NA CRISE QUE O RÁDIO PRECISA APARECER’. Quem lida de maneira desequilibrada com o rádio está criando problemas futuros não somente para a vida útil, mas também para a vida de seus funcionários, ouvintes, clientes e até a própria sociedade em que faz parte. É um círculo vicioso.

Muitas emissoras estão sendo arrendas para empresas de conotações religiosas, (radialistas que desistiram do rádio) ao qual não tenho nada contra, mas dependendo da pessoa que está atrás do microfone, isso pode se tornar um problema seríssimo à sociedade. É como ser dono de uma bomba nuclear, responsável por ela, e confiar na Al-Qaeda pela segurança da instalação. Aconselho que você não deixe tudo por conta de terceiros, principalmente os impostos junto ao Governo, Ecad e a Anatel

É curioso perceber que poupar não basta. Aqueles que poupam demais, seja por economia ou por temor excessivo do futuro, transformam suas rádios em sucata, tanto em equipamento quanto em programação e equipe. Como comércio, indústria e serviços faturando menos, a rádio tem investido nada em conteúdo, programação e equipe. Perdendo equilíbrio de suas emissoras no presente, o Rádio está deixando de cuidar do futuro. Ou seja, está deixando de adotar políticas de sustentabilidade.

 Afirmo que gastar demais é tão perigoso que economizar demais. E isso tem tudo a ver com o futuro de uma emissora de rádio, é por isso que conteúdo no rádio não pode se limitar as planilhas, cálculos e simulações de investimentos. A essência do rádio deve se buscar o equilíbrio. Um diretor artístico/ que entenda de produção, um bom programador musical, um ótimo jornalista/redator para pautar as matérias que vão ao ar, Locutores/Apresentadores com boa comunicação, um departamento comercial que consiga cuidar de seus clientes e assim por diante. Este é o custo para que você mantenha vivo, como em um corpo humano, se você cortar ou te faltar, não será como os demais.

Que me desculpem os gigantes do rádio que não concordam com a minha analogia mais, no dia em que cada rádio souber que qualidade é essencial no rádio, ou seja, se você tem uma rádio com conteúdos de qualidade como os que a Talk Radio oferece e equipe que geram audiência, seus clientes jamais deixarão de investir em sua emissora, pois sabem que os ouvintes que eles procuram estão ligados em sua programação. Por fim, radialista, se fazer rádio lhe faz feliz, continue fazendo-o, nem que seja apenas pelo seu bem estar pessoal.

Sobre João Filho

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