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A cor da febre

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POR PROFESSOR LISBOA – Nos tempos atuais, quando analisamos a ação daquele que fora feito imagem e semelhança de Deus, permitimo-nos concluir que ele – o homem -, justamente ele, tem sido o grande responsável por todas as grandes e pequenas mazelas que o mundo vem experimentando desde sempre. Não culpemos os animais, a natureza ou seus elementos por nossos erros. Assumamo-los.

Essa súbita preocupação com o surto de febre amarela que vem assustando o Brasil é o exemplo mais atual da culpa que tem, com absoluta exclusividade, o ser humano. Basta vermos o ímpeto incontrolável da ambição de querer ganhar sempre mais, mesmo alertado dos riscos irreversíveis que corre.

O caso da barragem de rejeitos minerais, da Samarco, em Mariana, Minas Gerais, ocorrido há cerca de dois anos, é fato revelador de que essa onda de febre amarela, que vem assombrando o Povo brasileiro, poderia acontecer: os rejeitos foram lançados em todos os cursos d’água, até alcançar o oceano, comprometendo Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e, por extensão, Espírito Santo e Bahia.

Ao longo do percurso, os rejeitos mataram os sapos e os peixes, como o Brasil e o mundo viram, por exemplo, no Rio Doce. Isso foi extremamente ruim para o meio ambiente e, consequentemente, para a saúde do próprio homem. Como dissemos, os sapos morreram. Ora, sem sapos, predadores naturais dos mosquitos, estes proliferaram. Os peixes morreram. Ora, sem peixes, predadores naturais das larvas do mosquito, estas permaneceram aptas a gerar novos mosquitos. Está aí o resultado: a onda de febre amarela. E, agora, o País está mergulhado na pressão de como evitar a urbanização da moléstia, cujo último caso fora registrado em 1942.

Não foi por falta de alerta, pois intelectuais, como o filho do grande Augusto Ruschi, morto por ação venenosa de um sapo, alertou, em indagação, sobre o perigo: “Vocês têm ouvido os sapos nas lagoas? E os peixes, vocês têm visto? Pois é isso é muito ruim. Um dia vocês vão entender do que eu estou falando…!”

Hoje, vivemos o terror, por nossa ganância de não pensar em conciliar, sustentavelmente, desenvolvimento e meio ambiente. Há muito se fala nisso e disso. Quantas vidas ainda se perderão? Quantos milhões ainda teremos que desprender em vacinas e campanhas? Quantos erros ainda iremos cometer até que sejamos capazes de, consciente e racionalmente, poder ser, realmente, dignos de nos acharmos obra-prima da Criação?

 

Por Antônio de Lisboa Machado Filho (Advogado, professor, Conselheiro do CEE/MA, ex-Vereador de São Luís).

 

Sobre João Filho

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